A Criança com Cardiopatia Congénita já é adulta e quer ser Atleta: Pode?


Seguem-se os pontos-chave das recomendações europeias para a participação no desporto competitivo em atletas adolescentes e adultos com doença cardíaca congénita (DCC):

  1. A melhoria dos cuidados clínicos levou a um aumento do número de adultos com doença cardíaca congénita (DCC) envolvidos em tempos de lazer e atividades desportivas competitivas.

  2. Embora os benefícios do exercício em pacientes com DCC estejam bem estabelecidos, existe um baixo, mas apreciável risco de complicações relacionadas com o exercício.

  3. Este documento introduz uma abordagem baseada na avaliação dos parâmetros hemodinâmicos,eletrofisiológicos e funcionais, em vez de apenas lesões anatómicas. As recomendações fornecem um algoritmo de avaliação abrangente que permite a avaliação específica do doente e estratificação de risco de atletas com DCC que desejam participar em desportos competitivos. Estas recomendações aplicam-se a doentes com DCC com idade ≥16 anos.

  4. A avaliação deve incorporar as diretrizes gerais da Sociedade Europeia de Cardiologia para o adulto com doença cardíaca congénita (DCC).

  5. É necessário um histórico médico e cirúrgico abrangente, com especial ênfase no diagnóstico primário da DCC, nas intervenções cirúrgicas e cateter, bem como nos seus timings e comorbilidades não-cardiovascular e na medicação e suplementos nutricionais prescritos e não prescritos. O médico deve realizar um exame físico minucioso com especial referência à frequência cardíaca e ritmo de repouso, à pressão arterial, às características da disfunção ventricular e à presença ou ausência de cianose central.

6. É indicada a avaliação de cinco parâmetros em repouso (ou seja, estrutura ventricular e função, pressão da artéria pulmonar, aorta, arritmia e saturação de oxigénio arterial).

7. Os testes de exercício cardiopulmonar (também conhecidas como Provas de Esforço Cardiorespiratóri) fornecem informações inestimáveis relativas a sequelas fisiológicas de lesões anatómicas, risco de morbilidade e mortalidade e tempo de intervenção. É uma ferramenta importante para avaliar a aptidão de base de atletas individuais e ajuda a informar a tomada de decisão sobre diferentes tipos de desporto.


   8. O médico deve avaliar cada um dos cinco parâmetros em repouso e exercício e atribuir o atleta de forma individual com DCC a um percurso específico que ditará as modalidades desportivas recomendadas. As recomendações fornecem um algoritmo de avaliação abrangente que permite aconselhamento individualizado em atletas com doença cardíaca congénita (DCC) que desejam participar em desportos competitivos:

  • Quando todos os parâmetros se enquadram nos limites normais ou há evidências de hipertrofia ligeira ou sobrecarga de pressão ou volume leve (via verde), os atletas podem participar em todos os desportos competitivos.

  • Quando um dos parâmetros está fora destes limites, a restrição aplica-se às modalidades de resistência (endurance) que são suscetíveis de representar as mais elevadas exigências hemodinâmicas e exigem elevados volumes de treino (rota laranja) ou os atletas devem limitar-se apenas a desportos de habilidade (rota violeta).

  • Os atletas com graves sequelas estruturais,hemodinâmicas ou eletrofisiológicas (rota vermelha) ou limitação sintomática devem limitar-se apenas ao desporto recreativo e não podem participar em desportos competitivos.

   9.  Os doentes com doença cardíaca congénita (DCC) ou DCC cianótica complexa, não corrigidas (cirurgicamente) ou corrigidas de forma paliativa com hipertensão pulmonar associada devem ser aconselhados contra a não-prática de desporto competitivo a uma altitude moderada ou elevada (acima de 1500 m).


  10. Por último, estas recomendações baseiam-se na opinião de peritos e não devem desencorajar os médicos a praticar fora das competências deste documento, com base na sua evidência científica e profissional. Além disso, em consonância com as boas práticas clínicas, o processo de tomada de decisão deve incluir sempre o atleta e respeitar a sua autonomia.


Adaptação:

Hilaryano Ferreira, MD.; Tchitchamene N Ferreira, MD.


Fonte: European Heart Journal, ehaa501,https://doi.org/10.1093/eurheartj/ehaa501



31 views

Contact Us

Tel: +351961099955; +351215898575

Email: eurekamedical@icloud.com

Book a Consultation

Subscribe to Our Newsletter

Payment methods 

  • LinkedIn - White Circle
  • Instagram - White Circle

©2020 Eureka Medical.  All rights reserved. 

  • Black LinkedIn Icon
  • Instagram
Eureka-Medical-Lda.png
0